Skip to content
Conferência Internacional sobre “Fontes de História de África escritas em Arabe (Ajami) e em Latim” PDF Print E-mail

Durante muito tempo, África foi considerada um continente sem história e sem dinâmicas próprias até à chegada dos europeus. Esta forma de pensar foi encabeçada por grandes pensadores europeus do século XIX, tais como Hegel e Hume. Para o primeiro o “continente Africano historicamente não era parte do Mundo” e atribuía todos os movimentos históricos aos asiáticos e europeus. Hume acrescenta que entre os africanos “não se encontram ou não se encontravam fabricantes engenhosos, letrados ou cientistas”. Estas teorias foram alimentadas durante muito tempo pela ideologia colonial que defendia uma supremacia cultural (civilizacional) dos povos europeus em relação aos africanos.

 

Esta corrente ideológica influenciou a construção do pensamento histórico em África e sobre a África, ou seja, as fontes escritas africanas e em línguas africanas porque antes negligenciadas e ofuscadas, ficaram eclipsadas pelo pensamento eurocentrista. Assim, para a construção de História de África, durante muito tempo foram consideradas apenas as fontes escritas europeias ou em línguas europeias, as fontes arqueológicas e as fontes orais. Pesquisas recentes desenvolvidas por historiadores, linguistas, filólogos e antropólogos em África, revelaram a existência de grandes e antigas tradições de escrita no continente, tais como as de Timbuktu (Mali), Hausa e Fulani (Nigéria), Swahíli (em quase toda a África Oriental incluindo o norte de Moçambique), Afrikaans (África do Sul), e várias outras, que deixaram como legado não só a continuação destas tradições literárias em quase todo o continente mas acima de tudo um enorme manancial de documentos que testemunham as dinâmicas históricas dos povos africanos. Apesar do gradual crescimento da consciência académica sobre estas importantes fontes de História de África, com especial destaque para os textos Ajami , o seu estudo e utilização continua limitado a um pequeno número de pesquisadores africanos e europeus. É por este motivo que o Fontes Historiae Africanae (FHA) e o Arquivo Histórico de Moçambique em coordenação com o Centro de Estudos Africanos e o Departamento de História da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UEM, organizam a conferência internacional sobre Fontes de História de África escritas em Ajami e Alfabeto Latino na África Oriental e Austral, reunindo investigadores vindos da Europa e várias regiões de África, visando a promoção do seu uso, a divulgação de estudos efectuados em diferentes partes do continente e estabelecer novas plataformas de trabalho e parcerias académicas. O FHA é membro da International Union of Academy (IUA) criada em 1964 com o objectivo de preparar e publicar edições e traduções de fontes orais e escritas sobre a história de África, em textos originais ou colecções de documentos organizados de acordo com temas específicos sobre a história de África Subsahariana. É na prossecução desses objectivos que o FHA tem vindo a organizar desde 2000, encontros entre os Comités Nacionais sobre as Fontes de História de Africa, em Ghana (2000), Senegal (2004), Níger (2007), Timbuktu (2008) e Sokoto (2010), com vista a promover o seu projecto entre os académicos africanos, facilitando a sua participação e envolvimento, o que poderá alargar as dimensões internacionais através de cooperação internacional entre os pesquisadores baseados em África e seus congéneres fora do continente que assente na troca de informações sobre planos, actividades e prioridades de pesquisa e publicações. A Universidade Eduardo Mondlane que tem a honra de acolher esta conferência, tem também a oportunidade de apresentar e discutir os resultados de pesquisas realizadas no Arquivo Histórico de Moçambique visando a identificação, colecção, catalogação e divulgação de Manuscritos Ajami do norte de Moçambique e o seu reenquadramento na História da África Oriental e do Oceano Índico.

 

Aceda seu email

webmail.uem.mz
zebra.uem.mz

Revista Arquivo digitalizada